entre vazios http://venoi.nireblog.com Wed, 04 Nov 2009 02:21:55 +0100 entre vazios http://static.nireblog.com/imagenes/logo.png http://venoi.nireblog.com http://nireblog.com Água http://venoi.nireblog.com/post/2009/07/08/agua http://venoi.nireblog.com/post/2009/07/08/agua Percorro em ti distâncias e fantasmas,
as breves flores onde mais te desejo.
És então o céu e um deus qualquer,
um toque suave,
um toque
e outro toque,
a língua nos lábios onde me inundas
e és maré,
um mar imenso onde me demoro
e lambo
devagar e depressa,
devagar
e devagar

Deixa que beba de ti o tal deus para que os gritos que gritas
sejam a primeira sílaba no escuro segredo que me abres

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Wed, 08 Jul 2009 07:28:24 +0100
Transpiro http://venoi.nireblog.com/post/2009/06/12/transpiro http://venoi.nireblog.com/post/2009/06/12/transpiro percorre-me devagarinho como se eu fosse calma
percorre-me devagarinho como se eu fosse caminho
percorre-me devagarinho como se eu fosse sós

e enquanto eu demoro percorre-me devagarinho

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Fri, 12 Jun 2009 11:20:20 +0100
bocados http://venoi.nireblog.com/post/2008/05/09/bocados http://venoi.nireblog.com/post/2008/05/09/bocados na verdade talvez resida nisso qualquer esperança de fruição. é incontornável a inconsequência das palavras lá onde a vida se faz grande e onde cada um dos medos reboliçam e apetecem.
eis-nos, as manhãs mais novas, renúncia esventrada nos hipotéticos espaldares de cada próximo dia. da força de nós se compreendem os pavores, como pegadas que inversamente nos perseguem.
José Encoberto, assim chamado de seu nome e alcunha, sobressaía pelo andar saltitante, mais ainda pelo desenho que fazia de si mesmo.
convenhamos que a forma como nos alcunham é significante de uns quantos tropeços e, invariavelmente, traduzem desconfianças aleatórias que se esgueiram.
José Encoberto crescera como é suposto nas idades infantes e mesmo nas idades juvenis. em criança brincara como brincam as crianças, saltara ao eixo, apontara o guélas às covinhas de tantos campeonatos,aos domingos, dia de roupa mais cuidada, o sermão costumado, mais tarde os carrinhos de choque nas festas da aldeia, os enfeites a florear as ruas e casas térreas, o catrapiscar às meninas desafiantes, mas sempre, e sempre de forma incólume, subsidiária de receios medíocres e sempre encoberto numa fugaz e sempre natural aleivosia.
diga-se, antes que outras palavras ultrapassem o momento de o dizer, sabendo-se que as palavras e o pensamento se procuram e se esperam, e outras vezes se alheiam e se recusam, diga-se que José Encoberto nunca compreendera a justa definição de tamanha alcunha nem se importara com a avidez de tal desatino.
podemos imaginar sem grande dificuldade de concretização, a solidão de tais dias quando a criançada da sua rua e da outra, e da outra ainda, projectava distâncias que ele, encoberto nelas, nas distâncias que podem medir-se entre as cumplicidades e o contrário delas, podemos imaginar na espera expectante de um aceno quando os primeiros sinais puberbes se figuravam no corpo e o faziam sentir e sentir-se, e o vazio teimava, tremendo. de pouco lhe servirá a sabedoria de que não existem coisas que não existem, que aquela pressão dorida era um estar cheio de si, de pouco lhe servirá hoje, quando se procura uma adjectivação académica e complexa acerca de uma simples alcunha, nascente e consumada na sua razão, de pouco servirá a José Encoberto que se lhe garanta que existem outras cores para além da forma como olha e se olha.
tendo referido as distâncias, tendo projectado uma medição entre o aqui e o ali, e o mais além, é bem certo que as distâncias que o costume mede por metros e outras conveniências, podemos chamar-lhe, acessoriamente, uma acessibilidade à compreensão visual, estas distâncias são díspares das que se pretendia referir, megalómanas e bastardas na sua etimologia psicológica, chamemos-lhe isto, já que ficou suposto definir, de qualquer maneira grotesca, ao diferencial de importância social entre José Encoberto e qualquer outro, e outro nome, da mesma ou de outra rua, que se pretenda trazer à história, também incólume o desenho que fazia de distâncias sobranceiras onde se creditava
Liliana Falaz, uma quarentona de aspecto enxuto e trato afável e tranquilo, parecia madurar passo a passo cada um dos seus passos. é bem certo que a profunda reflexão de cada gesto e cada sílaba a levara ao sucesso que ambicionara sorrateiramente.
José Encoberto apareceria nesse percurso num catrapum do acaso, do destino outros se apressarão a defender. fatalidade que independe de qualquer esforço de realização, esta coisa do destino teima em sossegar as gentes e a justificar-lhes a letargia de projectos e solução deles, uma das fórmulas milagreiras da perpectuação de poderes, quais forem.
neste suceder de clareares e escureceres se afirmará, então, cada uma tradições de que muito se orgulham os povos em ribaltas e festins embriegados.
José Encoberto e Liliana Falaz, adversários sem afronta. as coisas acontecem, é o destino, pouco, ou mesmo nada, nos culpa os desaires, preferia dizer: cada outro caminho. preferimos a incompreensão, o sossego taurino, digamos assim, que nos sucumba os trajectos escolhidos. A José Encoberto sobressaía a lividez de Liliana Falaz, discreta no que pudesse manifestar a aceitação do alheio a si, guardados os aplausos

(vai continuando...)

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Fri, 09 May 2008 12:49:43 +0100
entranhas de nós http://venoi.nireblog.com/post/2007/01/24/entranhas-de-nos http://venoi.nireblog.com/post/2007/01/24/entranhas-de-nos Cumprimentas o negro da noite como quem reconhece a alma
enquanto espero entre espaços de gritos os espaços de mim por onde se dispersam as sombras.
Sombras que escondem o tempo passado,
correntes que me amarram ao canto mais escuro onde me canso em ti
e onde gritas as vozes mais amplas da força.
Porque nao me ouves tu? Viras a cara aos meus gritos.
Fechas os olhos, esperas que a dor te passe ao lado.
Toco-te em segredo e cada um de teus medos enche-se de mim e os tais gritos ecoam de renúncia
e ávidos reboliçam e apetecem.
Arranhas-me o corpo com tuas memórias.
Abafas meus gritos em teu pensamento.
Gelas-me. Retiras-me a cor. Sugas-me a vida. Serpenteias e és tempo e és Maria onde me canso na invasão da distância.
Gritas-me de ti e estremeço na descoberta imensa e funda da entrega,
espanto humedecido nos troncos sólidos da floresta.
Eis-nos
as manhãs mais novas

Não vejo um mundo
Vejo esse mundo cheio de pessoas;
esse mundo cheio de pessoas, cada uma delas com as suas palavras, palavras que as descrevem , que as viveram
pessoas que nos toquem, que nos alegrem por dentro, que nos façam sentir vida
pessoas que caminhem connosco...
e, és isso

São lindas as palavras que te descrevem
elas sofrem apenas mudanças , longe de serem minhas
Manhãs.
O acordar de um sonho? Ou uma vez mais a janela para a gélida realidade?
ou para a disputa!
Tuas, naquilo que sinto de ti, na voz que desconheço, no cheiro que desconheço...mas no coração imenso que sinto em mim

e a disputa,
a disputa é derrotada pela distância que a nós impusemos, as barreiras que nos traçámos....
e, no entanto, tocas-me
resistes
desistes
respiras
e sorris

Por detras do espelho que reflecte quem sou , existe quem me mostre aquilo que não vejo , aquilo que carinhosamente me mostras e me dás a conhecer

Tocas-me e és um mar imenso
um horizonte para onde corro
e de onde escorres vida e entrega.
Entregas-te na distancia
e a vida fica grande
amante
repleta de nós
repleta d palavras,
de emoções,
de cores,
de cheiros,
todos eles fruto da imaginação ,mas que não deixam de fazer parte de uma realidade: A nossa

E agora ? Olhos nos olhos,
e agora ?
vamos, apenas, ser ?
sorrir ?

Ouve o silêncio. Que te diz ele? Que sons te guarda? Lembranças de um sorriso,
de milhões de ideias,
desenhadas numa folha em branco, onde tudo começa, onde tudo nasce. E agora, perguntas tu. Agora continuas a caminhar por essa folha, por esse caminho por ti desvendado, sem olhar para trás, longe da incerteza do passado, certo da factualidade do futuro.
Um caminho de fuga,
mas um caminho; e os caminhos traduzem uma esperança, um alcance que nos transcende e ilumina a solidão.

Por ti engrandeço e desperto gnomos e alegrias jovens.
Por mim,
segredo-me,
alem da muralha,
procurando cada traço da sombra

Teoria da inconsequência, não imagines.

Imagino Sim. Imagino o meu mundo, o teu mundo.
Aquele onde me deleito, onde me desfaço em mil prazeres.
Onde tu não passas de mera brisa que acalma minha respiração.
Ao mesmo tempo incendeias mil flores, mil desejos, mil mundos.
Tudo imaginação. Tudo consequência de meu desenho de imaginação...

Por onde mais és desvendo as grandes alegrias,
conheço o silvar
e o sabor
do teu mar.
Na minha boca as mil serpentes
e sempre que nas mãos a força de querer,
na boca
o teu mar incendiado onde sossegas por instantes breves e me inundas de ti,
pingos de renda
que lambo
e lambo.

Descansados, falaremos de coisas.
Falemos de coisas,
das pessoas desalmadase sobranceiras ao tempo
ou dos espaços no caminho
e nos recantos lúgubres da Lisboa velha

Falemos do que foi e já não é;
do que ficou escrito por entre as ruas
do que elas escondem
do que segregam entre si
murmúrios de amores mal amados
de desejos aplacados.

Percorro-te as esquinas em bocados de ter-te
e és água
da minha sede

Proíbo-te que sacies a sede.
Quero-te ainda mais sequioso
Servo da minha sede. Da minha vontade
Desenho-te sem fôlego,
sem força.

deixa-me beber da tua força,
da tua alegria mais exausta
e crescer em ti

Silvia Neves / Venoi

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Wed, 24 Jan 2007 11:14:17 +0100
de mim http://venoi.nireblog.com/post/2007/01/17/de-mim http://venoi.nireblog.com/post/2007/01/17/de-mim e em cada manhã se equivalem os alarmes mais distantes.
Abertos, equivalem-se.

É então.
Abertos os domínios mais teus
desvendam-se marés e espasmos onde escorres de alegria
e de mim.

Venoi

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Wed, 17 Jan 2007 19:13:18 +0100
toma-se http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/09/toma-se http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/09/toma-se Dá-se e toma-se no que tem dentro de si,
nele todo,
na leveza das mulheres abertas.

Senta-se na invenção do mundo
e o vazio transforma-se
acima
dos ruídos breves.

E vai,
arde,
grita, mergulha e abre-se

e eu respiro

Venoi

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Sat, 09 Dec 2006 22:30:43 +0100
O ponteiro entre as duas http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/09/o-ponteiro-entre-as-duas http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/09/o-ponteiro-entre-as-duas O ponteiro
entre as duas pernas,
pousada
de esperma apressada a vir-se,
que outro ponteiro já pinga de si,
lixeira de frio.

Os lábios já ardem e quem os beija ?

Outro ponteiro
vai-e-vem,
mais depressa,
que esperam os dias à esquina.
Trespasse de olhos
cerrados em camas
de sujo e ai!,
um filho de quem seja.

"Faz ó-ó tão linda fronteira,
faz ó-ó.
Fui mãe porque sim!"

Venoi

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]]> Sat, 09 Dec 2006 22:25:43 +0100 Se eu pudesse soltar meus gritos http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/08/se-eu-pudesse-soltar-meus-gritos http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/08/se-eu-pudesse-soltar-meus-gritos Se eu pudesse soltar meus gritos
e percorrer teu corpo
devagarinho
procurando a força
onde te espanto,
então, por ti, a voz se faria tempo
e tanto.

Venoi

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Fri, 08 Dec 2006 22:21:08 +0100
Antigamente o homem inventou deus http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/06/antigamente-o-homem-inventou-deus http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/06/antigamente-o-homem-inventou-deus e se de todo o tempo a carne se houver
serão gritos de mulher
a parir o universo a escorrer.
Eis o mistério da carne,
a verdade mais profunda
da esperança
que o mistério eis
e num gesto de ser dia far-se-á imagem de si

Venoi

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Wed, 06 Dec 2006 20:09:19 +0100
bê à bá http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/02/ba-a-ba http://venoi.nireblog.com/post/2006/12/02/ba-a-ba As palavras são diurnas.  

Ritmos de tempo oculto em si dentro como palavras por cima.                                                                         Rios virgens onde se amam as marés e tudo o que sei.

Pão violento.

Venoi

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Sat, 02 Dec 2006 02:41:26 +0100
Todos os dias alguem amanhece http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/30/todos-os-dias-alguem-amanhece http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/30/todos-os-dias-alguem-amanhece Todos os dias alguém amanhece,
memória verde.

Uma colina extensa
sentada na branca audácia da côr.

Uma voz
uma vez
e de súbito na carne
a coisa própria
os dedos
os dias
as formas
todos os nomes enfeitados de sangue
a água escorrendo nos dias
quando alguém amanhece.

Venoi

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Thu, 30 Nov 2006 20:21:49 +0100
Dai-me uma mulher http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/21/dai-me-uma-mulher http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/21/dai-me-uma-mulher Dai-me uma mulher.
Com ela inventarei deus
e gritarei gritos de espanto.
Dai-me uma mulher
e inventarei o homem
naquilo que o mais íntimo e um qualquer olhar vazio
se insinua.

Venoi

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Tue, 21 Nov 2006 10:04:00 +0100
Sei lá quantos são http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/10/sei-la-quantos-sao http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/10/sei-la-quantos-sao Eram três meninos, eram vinte, muitos mais.
Eram três meninos
e nos seus olhos já pouco brilhavam as águas.

Olhavam com aquele estilo amargo
de muitos anos
e horizonte boquiaberto de espanto.

Eram três meninos que eram vinte e muitos mais.

Mas antes
quero dizer-vos do verde,
dos comboios de brinquedo
e das esplanadas onde nos intervalos do quotidiano
a noite dos dias se manifesta
euforicamente.

Porque os meninos que eram três e muitos mais
lembravam-me o tédio,
o pão nosso de cada dia.

Ai mãe!, minha mãe de cacos,
de tanto engano
e de meninos muitos lhes dizeres
que o céu é de terra.

E os meninos mais de vinte trazem o céu no ser.

Àqueles meninos muitos cresciam papoilas nos olhos
e raízes por dentro das mãos.

Aqueles meninos,
no entanto,
arrancavam as papoilas antes que murchassem.

Talvez não murchassem porque a esperança
não se abate quando se luta.

Venoi

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Fri, 10 Nov 2006 20:52:01 +0100
Descobre em mim http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/09/descobre-em-mim http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/09/descobre-em-mim Descobre em mim as coisas mais absurdas
como se fantasmas rebeldes
se figurassem em cada esquina.

E descobre-me
mergulhando em cada pegada
e onde sintas
completa
intensos espaços em ti

Venoi

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Thu, 09 Nov 2006 22:37:37 +0100
Atmosfera descalça http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/04/atmosfera-descalca http://venoi.nireblog.com/post/2006/11/04/atmosfera-descalca Atmosfera descalça e olhos de espera nas mãos,
no entanto.
Por vezes, um gesto de pão
em pingos de cuspo seco que enchem a terra.

Dir-se-ia um beijo de possuir-se,
uma palavra de trapos,
aqui e ali um discurso aterrador, de perfil.

E, no entanto, ferrugem de pneus por cima
e pés de resina,
bairro de lata de prédios sobranceiros,
de olhar recalcado e comichão avulsa,
cimento breve.

Chafariz de luz roubada, as mãos.

As mãos que realizam contornos
e empurram a inércia das palavras
onde as trepadeiras esperam
e se embriagam humildecidas.

Quem sabe das raízes mais velhas?,
dos pedaços mais tenros da floresta?

Eis a moldura
que as paredes anseiam inadvertidas.

A forja.

Bairro de pétalas rasteiras,
ludíbrio fantástico
em que as circunstâncias se envergonham.
Raízes panorâmicas.

Um beijo de lata,
mãe de barro escancarado
por onde entram viris,
os gritos machos, as tocas.

A língua na boca,
na língua,
por baixo,
no delírio mais quente
quando se abrem húmidas
as janelas,
o prumo deslumbrante das estacas,
o frio,
o frio.

Estendal de lama, as pernas macias,
escorrendo onde, à noite,
as línguas molham os sexos enrugados,
tempêro exausto no delírio mais terno.

Beijo de lata amarelecida,
atirada fora quando as manhãs se ouvem na cama.

Ouro leve.

Reclame de esperma de olhos longos: um dia.

Crianças sujas de alegria,
de latas submersas, leite maduro.
Zinco atmosférico.

Formigas de seda púrpura.

À hora de nem sempre,
gelados de morango sintético.
Inventário de gelo onde me apertam os olhos
e onde procuro, a medo, uma resposta.
Um dia, criança longínqua
onde se debatem as águas.
Pregos de cinza teimosa nas latas velhas,
esperando o limbo das parábolas,
testamento de mais querer e dar,
palmos de feno seguro
no lugar de si quase vago.

As mãos sem o jeito antigo,
o tempo nem olha.

Barro clandestino,
as janelas encharcadas de pó,
os brinquedos de por aí.

Nacos de mentiras no último acto,
o ponto quase deserto,
intervalo místico de um sem fim
mecânico, querido, sereno.

Ferrugem de quem diria.

Pias de abandono,
os testículos de farrapos caídos,
sargetas refractárias no bolor mais pestil.
Varais de solidão em beijos de sol triste,

os altos moinhos deste poema.

Venoi

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Sat, 04 Nov 2006 00:20:13 +0100
Em verdade vos digo http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/27/em-verdade-vos-digo http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/27/em-verdade-vos-digo Certos dias em que de uma forma mais descarada o silêncio nos alimenta a vontade, tinge de ouro e espanto o nosso olhar.
São estes os momentos de aventura, os mais íntimos momentos de todas as vozes, de todas as vezes.

Nem só de bola se alimenta a forma.
Também o sonho, também a preguiça, também o nada nos desenvolve e nos equilibra a ternura, também nos cresce mais belos e delfins os dons da esperança.
Descubram nesses instantes tudo o que vos é interior, tudo o que vos encanta.
E depois durmam.
Amanhã têm que dar pontapés na bola e estabelecer com ela uma dialéctica de cumplicidade.

Nada disto faz sentido.
Não acreditem no que vos digo
mas no suor desse sonho.
Nem os esgares que nos escapam aos sentidos fazem sentido.
Apenas o suor do vosso sonho.
O trabalhinho, pois.
Joguem, estudem, leiam coisas que façam sentido.
Haverá um tempo em que serão tudo isso, no passado e no presente que então fôr.
Haverá um tempo em que foram bons ou maus jogadores, em que serão bons ou maus homens.
Se calhar, algumas destas palavras farão sentido, mas não é importante que assim seja.
O fundamental é a vida e a solidariedade.
E onde nos situamos.
Até que sorriam.

Venoi

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Fri, 27 Oct 2006 10:59:57 +0100
Filhos quaisquer http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/26/filhos-quaisquer http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/26/filhos-quaisquer Juntos vamos escrever um texto,
um bocado chato,
daqueles que temos de estudar na escola
e dividir em orações.

Pensemos a luz:
Ela esconde a noite dos tempos.

Pensemos a noite:
Ela embala o dia e assusta um bocadinho.

É à noite que o sonho se esconde
e nos surpreende o esquecimento
e quando amanhece a luz
o sonho espera por um novo tempo.

Chama-se Miguel, ou outro nome qualquer.
Nos seus olhos está o horizonte
e as mãos tocam o céu inteiro e muito azul.
Harmonias nunca ouvidas
assinalam cada gesto, cada vontade.
Nele está deus
e também lá estou, lentamente.

Chama-se Daniel
e traz a vida inteira
e é um vale e uma cereja
e é granizo, talvez sereia.
Não sei porque se chama.
Será jogo e naco de prosa,
amor e amor ainda
e o gesto se fará sopro e carne
num tempo distante, será Tânia

Venoi

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Thu, 26 Oct 2006 17:51:59 +0100
Entra-me http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/25/entra-me http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/25/entra-me Agora a noite caiu, estranha e vazia, como se a distância das coisas mais naturais fosse aquela desafiamos dentro de cada momento de nosso tempo. Onde estão as fronteiras? onde está o agora e o ontem onde nem o futuro nos presencia, onde o tempo de tais momentos se esvazia na memória das emoções e das sobras de nós mesmos? Afinal, quais os caminhos? que importa quais os caminhos, afinal? E o tempo e a memória e aonde? Caminhar na espera, será esse o espólio. Na espera de qualquer coisa inadiável e absoluta, aquela leveza transparente das vozes longínquas de quando se dorme na praia. Creio admitir um enorme deserto. Falemos, então, das sombras, esses pássaros difusos no calor dos medos. Falemos das sombras e das vozes que nelas habitam, as vozes - ouvem-nas? e se misturam preguiçosas e fáceis de ignorar não fôra um qualquer movimento abrupto, incalculado e rasteiro. As sombras, não falemos das sombras.

Venoi

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]]> Wed, 25 Oct 2006 17:00:34 +0100 nhon... http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/24/nhon http://venoi.nireblog.com/post/2006/10/24/nhon respiramos entre vazios
e nas sombras que se misturam
intensos tamanhos
que tocam
e tocam
e tocam onde crescemos
e nos misturamos de amor
e força,
onde o medo sente desejo

Venoi

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Tue, 24 Oct 2006 13:08:32 +0100