Cumprimentas o negro da noite como quem reconhece a alma
enquanto espero entre espaços de gritos os espaços de mim por onde se dispersam as sombras.
Sombras que escondem o tempo passado,
correntes que me amarram ao canto mais escuro onde me canso em ti
e onde gritas as vozes mais amplas da força.
Porque nao me ouves tu? Viras a cara aos meus gritos.
Fechas os olhos, esperas que a dor te passe ao lado.
Toco-te em segredo e cada um de teus medos enche-se de mim e os tais gritos ecoam de renúncia
e ávidos reboliçam e apetecem.
Arranhas-me o corpo com tuas memórias.
Abafas meus gritos em teu pensamento.
Gelas-me. Retiras-me a cor. Sugas-me a vida. Serpenteias e és tempo e és Maria onde me canso na invasão da distância.
Gritas-me de ti e estremeço na descoberta imensa e funda da entrega,
espanto humedecido nos troncos sólidos da floresta.
Eis-nos
as manhãs mais novas
Não vejo um mundo
Vejo esse mundo cheio de pessoas;
esse mundo cheio de pessoas, cada uma delas com as suas palavras, palavras que as descrevem , que as viveram
pessoas que nos toquem, que nos alegrem por dentro, que nos façam sentir vida
pessoas que caminhem connosco...
e, és isso
São lindas as palavras que te descrevem
elas sofrem apenas mudanças , longe de serem minhas
Manhãs.
O acordar de um sonho? Ou uma vez mais a janela para a gélida realidade?
ou para a disputa!
Tuas, naquilo que sinto de ti, na voz que desconheço, no cheiro que desconheço...mas no coração imenso que sinto em mim
e a disputa,
a disputa é derrotada pela distância que a nós impusemos, as barreiras que nos traçámos....
e, no entanto, tocas-me
resistes
desistes
respiras
e sorris
Por detras do espelho que reflecte quem sou , existe quem me mostre aquilo que não vejo , aquilo que carinhosamente me mostras e me dás a conhecer
Tocas-me e és um mar imenso
um horizonte para onde corro
e de onde escorres vida e entrega.
Entregas-te na distancia
e a vida fica grande
amante
repleta de nós
repleta d palavras,
de emoções,
de cores,
de cheiros,
todos eles fruto da imaginação ,mas que não deixam de fazer parte de uma realidade: A nossa
E agora ? Olhos nos olhos,
e agora ?
vamos, apenas, ser ?
sorrir ?
Ouve o silêncio. Que te diz ele? Que sons te guarda? Lembranças de um sorriso,
de milhões de ideias,
desenhadas numa folha em branco, onde tudo começa, onde tudo nasce. E agora, perguntas tu. Agora continuas a caminhar por essa folha, por esse caminho por ti desvendado, sem olhar para trás, longe da incerteza do passado, certo da factualidade do futuro.
Um caminho de fuga,
mas um caminho; e os caminhos traduzem uma esperança, um alcance que nos transcende e ilumina a solidão.
Por ti engrandeço e desperto gnomos e alegrias jovens.
Por mim,
segredo-me,
alem da muralha,
procurando cada traço da sombra
Teoria da inconsequência, não imagines.
Imagino Sim. Imagino o meu mundo, o teu mundo.
Aquele onde me deleito, onde me desfaço em mil prazeres.
Onde tu não passas de mera brisa que acalma minha respiração.
Ao mesmo tempo incendeias mil flores, mil desejos, mil mundos.
Tudo imaginação. Tudo consequência de meu desenho de imaginação...
Por onde mais és desvendo as grandes alegrias,
conheço o silvar
e o sabor
do teu mar.
Na minha boca as mil serpentes
e sempre que nas mãos a força de querer,
na boca
o teu mar incendiado onde sossegas por instantes breves e me inundas de ti,
pingos de renda
que lambo
e lambo.
Descansados, falaremos de coisas.
Falemos de coisas,
das pessoas desalmadase sobranceiras ao tempo
ou dos espaços no caminho
e nos recantos lúgubres da Lisboa velha
Falemos do que foi e já não é;
do que ficou escrito por entre as ruas
do que elas escondem
do que segregam entre si
murmúrios de amores mal amados
de desejos aplacados.
Percorro-te as esquinas em bocados de ter-te
e és água
da minha sede
Proíbo-te que sacies a sede.
Quero-te ainda mais sequioso
Servo da minha sede. Da minha vontade
Desenho-te sem fôlego,
sem força.
deixa-me beber da tua força,
da tua alegria mais exausta
e crescer em ti
Silvia Neves / Venoi