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entre vazios

Arquivo: Dezembro 2006

09/12/2006 GMT 1

toma-se

venoi @ 22:30

Dá-se e toma-se no que tem dentro de si,
nele todo,
na leveza das mulheres abertas.

Senta-se na invenção do mundo
e o vazio transforma-se
acima
dos ruídos breves.

E vai,
arde,
grita, mergulha e abre-se

e eu respiro

Venoi

O ponteiro entre as duas

venoi @ 22:25

O ponteiro
entre as duas pernas,
pousada
de esperma apressada a vir-se,
que outro ponteiro já pinga de si,
lixeira de frio.

Os lábios já ardem e quem os beija ?

Outro ponteiro
vai-e-vem,
mais depressa,
que esperam os dias à esquina.
Trespasse de olhos
cerrados em camas
de sujo e ai!,
um filho de quem seja.

"Faz ó-ó tão linda fronteira,
faz ó-ó.
Fui mãe porque sim!"

Venoi

08/12/2006 GMT 1

Se eu pudesse soltar meus gritos

venoi @ 22:21

Se eu pudesse soltar meus gritos
e percorrer teu corpo
devagarinho
procurando a força
onde te espanto,
então, por ti, a voz se faria tempo
e tanto.

Venoi

06/12/2006 GMT 1

Antigamente o homem inventou deus

venoi @ 20:09

e se de todo o tempo a carne se houver
serão gritos de mulher
a parir o universo a escorrer.
Eis o mistério da carne,
a verdade mais profunda
da esperança
que o mistério eis
e num gesto de ser dia far-se-á imagem de si

Venoi

02/12/2006 GMT 1

bê à bá

venoi @ 02:41

As palavras são diurnas.  

Ritmos de tempo oculto em si dentro como palavras por cima.                                                                         Rios virgens onde se amam as marés e tudo o que sei.

Pão violento.

Venoi

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