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entre vazios

Arquivo: Outubro 2006

27/10/2006 GMT 1

Em verdade vos digo

venoi @ 10:59

Certos dias em que de uma forma mais descarada o silêncio nos alimenta a vontade, tinge de ouro e espanto o nosso olhar.
São estes os momentos de aventura, os mais íntimos momentos de todas as vozes, de todas as vezes.

Nem só de bola se alimenta a forma.
Também o sonho, também a preguiça, também o nada nos desenvolve e nos equilibra a ternura, também nos cresce mais belos e delfins os dons da esperança.
Descubram nesses instantes tudo o que vos é interior, tudo o que vos encanta.
E depois durmam.
Amanhã têm que dar pontapés na bola e estabelecer com ela uma dialéctica de cumplicidade.

Nada disto faz sentido.
Não acreditem no que vos digo
mas no suor desse sonho.
Nem os esgares que nos escapam aos sentidos fazem sentido.
Apenas o suor do vosso sonho.
O trabalhinho, pois.
Joguem, estudem, leiam coisas que façam sentido.
Haverá um tempo em que serão tudo isso, no passado e no presente que então fôr.
Haverá um tempo em que foram bons ou maus jogadores, em que serão bons ou maus homens.
Se calhar, algumas destas palavras farão sentido, mas não é importante que assim seja.
O fundamental é a vida e a solidariedade.
E onde nos situamos.
Até que sorriam.

Venoi

26/10/2006 GMT 1

Filhos quaisquer

venoi @ 17:51

Juntos vamos escrever um texto,
um bocado chato,
daqueles que temos de estudar na escola
e dividir em orações.

Pensemos a luz:
Ela esconde a noite dos tempos.

Pensemos a noite:
Ela embala o dia e assusta um bocadinho.

É à noite que o sonho se esconde
e nos surpreende o esquecimento
e quando amanhece a luz
o sonho espera por um novo tempo.

Chama-se Miguel, ou outro nome qualquer.
Nos seus olhos está o horizonte
e as mãos tocam o céu inteiro e muito azul.
Harmonias nunca ouvidas
assinalam cada gesto, cada vontade.
Nele está deus
e também lá estou, lentamente.

Chama-se Daniel
e traz a vida inteira
e é um vale e uma cereja
e é granizo, talvez sereia.
Não sei porque se chama.
Será jogo e naco de prosa,
amor e amor ainda
e o gesto se fará sopro e carne
num tempo distante, será Tânia

Venoi

25/10/2006 GMT 1

Entra-me

venoi @ 17:00

Agora a noite caiu, estranha e vazia, como se a distância das coisas mais naturais fosse aquela desafiamos dentro de cada momento de nosso tempo. Onde estão as fronteiras? onde está o agora e o ontem onde nem o futuro nos presencia, onde o tempo de tais momentos se esvazia na memória das emoções e das sobras de nós mesmos? Afinal, quais os caminhos? que importa quais os caminhos, afinal? E o tempo e a memória e aonde? Caminhar na espera, será esse o espólio. Na espera de qualquer coisa inadiável e absoluta, aquela leveza transparente das vozes longínquas de quando se dorme na praia. Creio admitir um enorme deserto. Falemos, então, das sombras, esses pássaros difusos no calor dos medos. Falemos das sombras e das vozes que nelas habitam, as vozes - ouvem-nas? e se misturam preguiçosas e fáceis de ignorar não fôra um qualquer movimento abrupto, incalculado e rasteiro. As sombras, não falemos das sombras.

Venoi

24/10/2006 GMT 1

nhon...

venoi @ 13:08

respiramos entre vazios
e nas sombras que se misturam
intensos tamanhos
que tocam
e tocam
e tocam onde crescemos
e nos misturamos de amor
e força,
onde o medo sente desejo

Venoi

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